segunda-feira, 12 de março de 2012

Tamo junto, e separados.





Na boa? Eu não consigo me adaptar a esse mundo moderno. Por mais natural que pareça conversar horas com um pedaço de tecnologia falante, eu sinto é falta das gargalhadas face a face, do olho no olho, do telefone sem fio, que mesmo ao pé do ouvido já abria margem para ruídos, imagina esse telefone sem fio que fala à distância, que tira foto e intimidade.

Acabei de ir à recepção aqui da empresa e me deparei com quatro criaturas aparentemente interagindo, mas quando me aproximei, uma olhava suas fotos do domingo, a outra falava com o namorado, uma dividia sua atenção com o facebook e alguém do outro lado da linha e a quarta dormia no sofá, com o celular na barriga.

Abaixo à falta de intimidade, de chamego, de carinho... vamos pegar o ônibus ou o carro e ir ver uma amiga, desconectar-se da internet e conectar as carnes rumo às experiências antes vividas, ver a rua, ver os problemas sociais, ser um problema social e criar soluções.

Estamos tão juntos, entre quarto paredes digitais que eu não consigo nem ouvir a tua voz, e muito menos seu novo perfume que você fez questão de comprar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Esperto é o Peter

Quando eu era criança, sonhava em ser adulta. Imagino que esse seja o desejo de quase todos os pequenos.
O gosto pela liberdade e pela autonomia, insistem em roubar a cena da infância. Na atualidade então, com tantos e tantas personagens super desenvolvidos, os meninos e as meninas querem vestir, usar e ter coisas dos adultos. A moda é grande influenciadora disso tudo. Mini peruas desfilam seus charmes pueris pelas ruas, meninos exibem seus cabelos de Neymar e tudo acaba ficando a mesma coisa.

Cadê a corda?

Cadê a brincadeira de roda e de rua?

Cada dia mais, mais crianças estão em frente ao computador buscando o que nem elas sabem que querem, antecipando capítulos e aprendendo coisas desnecessárias.

Hoje olho para minha infância e vejo como foi bom ser criança. Eu adoraria poder pegar um dia de cada semana, e ser criança de novo. Poder ter os grandes problemas, que quando criança, achamos ser verdadeiros.

Esperto é o Peter. Danadinho que optou nunca envelhecer. Palmas para o Peter e para minha alma, que será sempre de criança.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Antes e depois do almoço

Tô pra ver um empregado que não fique nervoso e sonhando com um futuro próximo, que é a hora do almoço, quando ela está chegando.
Sempre dá uma hora depois da "hora sagrada", mas não passam os cinco minutos para o meio dia.
E após a hora linda, de grande amor e contato do seu corpo com os alimentos, tem o "depois do almoço", que quase sempre você sonha com uma relação de intimidade com sua cama, mas aí você se toca que já são quase 14h e sua batata está assando. Seu sono vira segundo plano, seus olhos ardem e sua caixa de e-mail começa a ser lida. Agora é hora de ligações perigosas e tantas outras coisas que só uma Executiva de Contas pode dar conta, mesmo com sono. Boa tarde. Amanhã tem mais almoço, sono e esse samba sem fim.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Amanda

Amanda amava os muito motivos de estar viva, e isso tem a ver com a lição que aprendeu com sua mãe: Menina, o que importa é estarmos vivos e saudáveis.
E quando levava uma topada, um corte, ou mesmo derrubava sorvete em seu vestido novo, ela pensava na saúde e sorria sozinha ouvindo sua mãe falar.

A menina que amava os muitos motivos, passou a amar os muitos momentos também, dentro deles, as pessoas. Amanda se apaixonou perdidamente, infinitas vezes, amante de tantos corpos e desejos. A noite ou de dia, sua cama era cúmplice do seu desespero por amar.

Amanda amou, amante de tantos, que hoje vive perdida em porta e porta procurando seus amores, por isso toda noite ela saí com alguém diferente para amar loucamente, ser feliz e esquecer as dificuldades. Pois a lição do seu pai era que ela só precisava ter alguém ao lado e seria feliz para sempre. E como ela não consegue amar para sempre, ela ama todo dia intensamente um coração só, um de cada vez, um dia de cada amor. Um sopro e um novo amor.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

No banquinho com Freud

Abri a boca para falar, mostrei os dentes
Escondi os dentes para pensar, mordi a língua
Liberei a língua para sentir, aquele mito
Mito nas horas de medo, medo por litro
Litro é o nosso segredo, espaço místico.

Muitos são velhos, garotos
Poucos são jovens
Os que evoluem na frente, os outros mordem
Muitos são velhos, marotos
Poucos são lordes
Os que evoluem na mente, os outros fogem
Poucos são nobres.

Me pego sentindo o desespero
Me pego no elo e tenho medo
Me chamo para cama, hoje mais cedo
Me calo e durmo, hoje é madrugada.

sábado, 8 de outubro de 2011

Nada como pintar o sete

Nada como pintar o sete
Nada como pintar o sete com as cores que você escolher
Nada como pintar o sete com as cores que você escolher, desistir e escolher de novo.
Nada como pintar o sete com as cores que você escolher, desistir, escolher de novo e pintar um oito.

Essa vidinha não importa muito se você fica pensando em números exatos, cálculos perfeitos e tamanhos corretos. Bom mesmo é misturar cores, gostos, comportamentos, sabores, desejos, mitos, descobertas; desfazer mitos. Tirar as amarras da perfeição e pintar um sete a cada dia, pintar um número, uma letra, uma paisagem, um corpo, um copo, um rosto, um orgão, um dedo. Sem medo, sem medo feito uma criança,que não tem essa palavra no seu vocabulário, dicionário; vida. Vida, é o que eu mais quero todo dia, e todo dia eu morro para nascer de manhã, reaprender a amar a vida, dar valor ao amor e pintar um sete cada dia mais bonito.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sinergia

Eu me a fas ta rei
Daquilo que não é conjunto

Trocrarei por outro
O que não for uniforme

Não vestirei essas amarras
Dos povos indi vidualistas

Eu quero é união, junção, aglomeração; se não, não.